quarta-feira, 15 de junho de 2011

Eu sou capaz

Retiro-me da tua insignificante vida, dos teus dias, do teu quarto, da tua casa. Sabe por quê? Para tentar recompor-me. Você se foi e levou contigo um punhado do meu ser, despedaçou-me, arrancou-me a delicadeza do olhar e o requinte das expressões, deformou-me de corpo e alma. Conseguiras desitratar-me, não conseguindo, assim, derramar uma lágrima por ti. Apenas, isolar-me.
Daí vinheram-me perguntas terríveis, questionando-me como Clarice, grande Lispector, "Quem sou eu? Como sou? O que ser? Quem sou realmente? E eu sou? Mas eram perguntas maiores do que eu." E perguntas que até hoje não consegui achar as respostas.

Já que se encontras com a minha essência, pergunta a ela, e responde-me. Tira-me desse brutal eclipse, leva-me ao crepúsculo da ofuscação para que eu encontre a nitidez da vida e nela reencontre meu brilho que será tão vivo e belo quanto o lírio de uma flor.

                                                                 "Se cada dia cai, dentro de cada noite, há um poço onde a claridade está presa. Há que sentar-se na beira do poço da sombra e pescar a luz caída com paciência."

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